sexta-feira, 4 de março de 2011

O destino é uma rajada forte (27ª parte)

João e Lara dirigiam se para o hospital de mãos dadas. Era sexta feira e Leonor já estava em coma à duas semanas. André não arredava pé do hospital nem tampouco ia às aulas. Só se deslocava do hospital para ir a casa dormir e comer. Apesar de saber que a mãe não aprovava aquela atitude André ignorava. A única coisa que lhe importava era Leonor e a simples ideia de ela poder acordar e ele não estar lá assustava-o. Não a queria abandonar, não queria mesmo.

André recebe uma chamada de João avisá-lo de que vai até ao hospital. Na chegada João manda uma mensagem a André avisá-lo que já chegou para ele descer.

João: (abre os braços para abraçar o amigo) Está difícil agora estar contigo.
André:(sorri e ao cumprimentar Lara) Ya mudei de casa. 
João: (ri-se) aqui nunca estás sozinho.
André: (tentando mudar de assunto) Querem ver a Leonor? 
João: sim, como é que ela está?
André: (enquanto se dirigiam ao elevador) Está linda.
João: não me referia a isso André.
André: (exalta-se) Eu sei que não te referias a isso mas que queres que te diga? Está a dormir.

João abana a cabeça.

Lara: (encontra uma amiga no corredor) Olá
Clara: Olá querida.
Lara: Por aqui?
Clara: O meu avô foi operado vim-lhe fazer uma visita, e tu? 
Lara:(Olha para André)Eu tenho aqui uma amiga em.... coma. (faz uma pausa e a olhar para João) Amor se quiseres podes ir indo eu já vou ter convosco.
João: (dá-lhe um beijo na testa) Ok princesa até já.
André:(apontar) Lara o quarto é aquele último, ali ao fundo.
Lara: (sorri) percebido. Já lá vou ter.

João e André dirigem-se ao quarto de Leonor. 

André: (enquanto fazia um carinho na cara de Leonor) Senta-te estás à vontade.

João senta-se e a sala é arrasada por um silencio avassalador.

João: (quebra o silencio) Como é que tu estás?

André sente aquela pergunta como uma facada no peito, doeu-lhe tanto. E mais que a pergunta doía-lhe a resposta.

André: (mente) bem.
João: sabes que não tens que me mentir. Podes tirar essa máscara de homem forte. Possa somos como irmãos.
André: (explode) que queres que diga João? que estou uma merda? sim estou. A minha vida está presa a esta cama entre a vida e a morte á duas semanas.
Queres que tire a máscara? A minha vida está uma merda e sinto-me a morrer a cada dia que passa. Sinto-me um monstro por a ter posto neste estado. Preferia morrer a vê-la assim.
João: (levanta-se do sofá) Tem calma mano, tu não tens culpa de nada.
André:(exaltado) a culpa é toda minha. Tu não entendes? Ela queria ir no autocarro. Eu é que a convenci a vir comigo. Eu é que lhe pedi para me deixar levá-la a casa para estarmos mais tempo juntos. Eu é que a coloquei nesta situação. 
João: Tu não a vais perder. Ela vai ficar boa. Mas mano tu não podes passar tanto tempo aqui, isso não te faz bem. 

André já sabia que João ia tocar naquele assunto, acreditava até que tivesse sido a sua mãe a pedir a João para falar com ele.

André: (furioso) ai é? então o que é que me faz bem? diz lá! Estar na escola? para quê se o meu pensamento vai estar aqui 24 horas por dia? Eu não quero estar em mais lado nenhum, não preciso. 
João: Tu tens que te distrair. desculpa ser eu a dizer-te isto, mas a Leonor pode ficar assim muito tempo, meses, anos até. E tu? vais-te mudar para aqui é? 
André: Sim passarei aqui todas as horas possíveis e imaginarias. Eu não sou como tu, que vai deixar a mulher que ama fugir-lhe entre os dedos para Londres. Eu farei tudo para ficar com a Leonor, quer ela esteja em coma ou não.
João: (incrédulo que André tenha dito aquilo) Tu estás parvo? Não é assim tão simples e não estamos a falar de mim.
André: pois ai é que esta, é tudo muito mais fácil quando não é connosco. João já olhas-te bem para ti? Tens uma rapariga espetacular que te ama, que tem o sonho e a oportunidade de ser bailarina e em vez de ires atrás dela, vais ficar com ela até á hora da sua partida e depois vais viver os teus dias miseravelmente, tens noção? (em lágrimas) Acorda para a vida, não deixes que seja preciso ela entrar em coma ou estar entre a vida e a morte para perceberes que não a queres perder.

João ficou em estado de choque, nunca esperou ouvir aquilo do amigo. Não daquela forma, não assim. E fica ainda pior quando olha para a entrada e repara que Lara já estava na entrada e que provavelmente ouviu tudo aquilo.

18 comentários:

  1. minha querida, eu sei disso e durante muito tempo também pensei assim, mas é dificil acreditar xs

    ResponderEliminar
  2. gostei tanto deste capítulo ; a história está cada vez melhor :D

    ResponderEliminar
  3. Já estou ansiosa pela 28.ª parte :D

    ResponderEliminar
  4. Ainda bem. Estou completamente "viciada", estou sempre à espera do capítulo seguinte :)

    ResponderEliminar
  5. adorei mesmo :D
    fico à espera da próxima parte!

    ResponderEliminar
  6. História magnifica.
    Li cada pedaçinho com a máxima atenção e deixou-me literalmente colada ao pc!
    Esta mesmo maravilhosa, escreves muito bem *-*
    fico á espera pa próxima parte *-*

    ResponderEliminar
  7. Esta história está belíssima, li tudo desdo o capítulo 1. Vais continuar?

    "A minha felicidade depende da tua desde que vi o teu sorriso." A frase que mais me marcou, linda!

    ResponderEliminar
  8. Caramba!
    Esta foi a melhor parte, Anne.
    Vou correndo ler a 28ª parte :P

    ResponderEliminar